terça-feira, 17 de novembro de 2009

Egito e Argélia: no desempate, tensão ampliada

Nesta quarta, em Khartoum, capital do Sudão, Egito e Argélia reencontram-se, no jogo extra para definir o desempate do grupo 3 das Eliminatórias da Zona Africana para a Copa do Mundo de 2010. Em busca da última vaga direta do continente para o Mundial, as duas seleções voltam a jogar num ambiente de tensão quase irrespirável, onde a maior atração é a chegada massiva das duas torcidas ao Sudão.

No jogo do último sábado entre as seleções, o ônibus com jogadores argelinos voltou a ser apedrejado por torcedores egípcios, quando chegava ao estádio El-Qahira, no Cairo. A seleção anfitriã precisava vencer por dois gols de diferença para assegurar o jogo de desempate - e conseguiu o segundo gol da vitória por 2 a 0 nos acréscimos do segundo tempo, aos 50 minutos, com Emad Moteab.

O técnico das Raposas do Deserto, Rabah Saadane, chegou a justificar a derrota pelo fato de vários jogadores já terem entrado em campo lesionados, pelo apedrejamento na chegada ao estádio. E, mesmo com a nova partida sendo disputada em campo neutro, egípcios e argelinos já começam a trazer preocupações para Khartoum, já que o Sudão não sedia um evento futebolístico de grandes proporções desde 1970, quando sediou a Copa Africana de Nações.

De acordo com o governador do estado onde fica a capital sudanesa, Abdelrahman Al-Khidr, são esperados 48 voos vindos da Argélia com torcedores. O Egito deve vir com 18 aeronaves, mais dois mil fãs que devem chegar ao país de ônibus. As duas torcidas receberão carga de nove mil ingressos, enquanto os 17 mil lugares restantes devem ficar com sudaneses, que serão colocados em setores estratégicos, para separar as torcidas.

E, nos dois países, governantes mantêm contato constante, para evitar conflitos entre torcedores. O ministro egípcio do exterior pediu ao embaixador argelino no país para dar garantias de segurança aos egípcios que estejam na Argélia. Enquanto isso, agências telefônicas e escritórios de companhias de aviação egípcias já foram depredados, em Argel.
O jogo: Egito confia, e Argélia tenta recuperar otimismo

No aspecto futebolístico, o meia Emad Moteab, que retornou às convocações da seleção após oito meses e marcou o gol que levou o jogo extra, manteve o otimismo de que os Faraós podem chegar à primeira participação no Mundial, desde 1990: "[No último jogo] Os egípcios já estavam tristes quando o jogo foi para os acréscimos, mas eu não. Foi o gol mais precioso da minha carreira, e estou certo de que podemos derrotar a Argélia novamente e realizar nosso sonho de ir à Copa."

Já nas Raposas do Deserto, que não jogam uma Copa desde 1986 (quando Rabah Saadane também era o treinador), tentam exibir animação, mesmo com a derrota no Cairo. Um dos destaques da equipe, o meio-campista Karim Ziani disse: "Perdemos o jogo, mas não a chance de nos classificarmos. A derrota definitivamente nos abateu, mas somos um grupo que confia em nossas capacidades e está motivado por torcedores extraordinários."

Na Suíça, um porta-voz da Fifa confirmou que, em caso de empate nos 90 minutos regulamentares, haverá prorrogação. Se o empate persistir, a última vaga da África na Copa de 2010 será decidida na disputa de pênaltis.

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